Um dia, uma rua; uma hora da manhã.
Papéis de parede envelhecidos eram sua companhia. Algumas pequenas pontas de cigarro sobre a mesa, mostravam que ninguém, além dele mesmo, passava naquele quarto há dias. Algumas latas de cerveja da noite passada ainda estavam no chão suplicando para serem recicladas ou, pelo menos, descartadas.
Ele, sem muito o que fazer, foi tomado por uma súbita vontade de sair, parecia que algo lhe forçava, não somente sua própria vontade, mas alguma coisa lhe impulsionava. Em suas mãos já estavam a chave do carro e de casa. Seus pés haviam ganhado vida própria. Agora só lhe restava seguir seu rumo, pois nada que fizesse poderia conter essa força, e para a rua ele foi. (já passava da uma).
Poucas pessoas, poucos carros, pouca vida o acompanhava. Mas sua vontade era maior, um desejo estranho, algo que nunca havia sentido antes. Uma grande força lhe trazia o desejo de ir além, mesmo que sem rumo, mas além. Seus olhos inchados ainda não haviam se acostumado com o forte vento que batia em seu rosto. O frio era sua maior coberta para aquela sensação, não sentia nada além de solidão e um frio incomum. Porém, por um instante, sentiu a presença de outra pessoa.
Olá, disse ele. Mas ninguém respondeu, somente o frio lhe era parceiro. (já passava das duas).
Caminhando por entre as ruas, não parecia perdido, mas determinado. Mesmo nunca tendo passado por aquelas paisagens, sentia que o caminho era aquele.
O frio cessara, e pôde perceber um caminhar logo atrás dele, porém, nada, nem ninguém o acompanhava; estava sozinho. Parou para certificar que não era seguido. Olhou para trás novamente e nada encontrou a não ser o frio lhe voltava a congelar.
Mais uma rua, mais um movimento. Sentia. Sabia, mas seus olhos não o ajudaram; Ninguém o acompanhava.
Aquela sensação crescia, seus batimentos cardíacos aceleraram, suas pernas o acompanharam. Passos largos foram dados, mais frio. Aquela ausência de calor já se tornara parte dele. Mais batimentos, muito mais. A adrenalina corria solta pelo seu corpo, inundando-o de euforia. Sabia, sentia que estava chegando no lugar, mesmo sem onde estava.
Ele olhou. Viu. Sentiu. Sabia!
O Lugar era aquele. Era lá. Atrás daquela árvore. Não tinha dúvidas.
Uma rua; três horas da manhã. Somente isso que lhe separava de seu Destino. O coração lhe saltava à boca. Seus batimentos estavam intensos. TUM TUM TUM TUM...
Vamos, mais uma rua, pensava ele. Mais alguns passos, mais alguns minutos. Sim, era tudo que precisava para chegar até aquela árvore. Até o seu destino final.
O frio aumentava, chegava a sufocá-lo. Enquanto que seus batimentos subiam a 160 por minuto. Porém, preferiu não atravessar. Por um breve momento, teve vontade de voltar. Mas não poderia parar. Precisava atravessar a rua. Somente esse obstáculo, pensava ele.
Um longo passo, não mais que o necessário.
Uma Luz. Uma voz ao lado da árvore.
- Chegastes!
O frio não lhe incomodava mais.
- Mas eu tentei parar. Meu corpo não queria atravessar a rua. Sei disso.
- Não, não sabe... Ao meu chamado, ninguém resiste. Venha, vamos. Chegou sua hora!
Eram três e meia da manhã, em ponto.
Imagem meramente ilustrativa, tirada de uma página que encontrei no Google. O link está na própria imagem.
Tuesday, August 5, 2008
Hora Marcada